Amor e Paixão

Não é raro confundirmos paixão com amor. A confusão aumenta quando os dois andam de mãos dadas por algum tempo. Mas são coisas bem distintas.

Paixão costuma ser muito seletiva no seu alvo e não tem dificuldade em conviver com sentimentos bem negativos associados a outras coisas, conceitos ou pessoas. Muitas vezes é a própria paixão por um que gera o desgosto por outro. Raiva e até ódio não raro se alimentam de paixão.

Assim é que pessoas e grupos loucos de paixão por um deus enchem-se de ódio pelos que ousam não dobrar os joelhos ao mesmo. Ou até mesmo contra quem adora o mesmo deus mas não “da forma como deveria”.

Também há os que são apaixonados pelo planeta mas parecem odiar os humanos. Ou os que têm paixão e movem mundos e fundos por animais mas nas pessoas somente vêm defeitos.

Há quem diga amar o futebol mas, por paixão a um time, busca humilhar o torcedor do outro. E há quem jure amar o país mas, por paixão a um político ou partido, semeia a discórdia e o ‘nós contra eles’.

Não há como esquecer dos que, pela paixão pelo bem da sociedade, escolhem uma ideologia. Ato seguinte, declaram guerra contra qualquer um que pense diferente. Vociferam sua devoção à tolerância, à democracia e ao Estado de Direito… mas praticam total intolerância contra qualquer divergência, buscam a imposição autoritária de sua ‘ordem social’ e não têm qualquer escrúpulo em torcer leis e instituições para servir às suas convicções e interesses.

Ironicamente, todos professam amor incondicional a algum deus, a uma causa, ao planeta, à vida, a democracia, ao bem da Humanidade.

Entretanto, diferentemente da paixão que permite e até se compraz na raiva e no ódio aos divergentes, o amor verdadeiro enche a mente e o coração e não aceita a convivência com sentimentos negativos. Não significa renunciar à justiça, que infelizmente implica muitas vezes em punição. Mas, quando aceita a necessidade de alguém ser punido, nisso não se alegra.

Há quem fere e mata por paixão mas nunca por amor.

Vivemos em nossa sociedade tempos de despertar de paixões. Infelizmente, tempos de pouco amor.

Em sua origem, a Páscoa significou o livramento de um povo mas o sofrimento de outro, seja qual for a justificação havida. Entretanto, modernamente, significa um amor universal, amplo, geral e irrestrito. Possamos todos celebrar esta última, encher nossas mentes e corações de amor, e conseguir que esse amor controle e dirija nossas paixões.

#pascoa #amor #sociedade #politica #paixao #justiça

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“Está sob controle” Min. Torquato Jardim – Por que não se calam?

“Está sob controle” Min. Torquato Jardim – Por que não se calam?

A declaração do ministro há pouco sobre a situação em Aparecida de Goiânia incluiu um infeliz “está sob controle”. Será o ministro destituído de senso ou considera que somos todos imbecis? Como pode estar sob controle uma situação caracterizada por fuga em massa de presos, licença para permanecerem foragidos por incapacidade de recebe-los de volta e 3 rebeliões sucessivas em apenas alguns dias? “Não há indício de conexão com a situação em outros estados”. E precisa haver indício? Não é suficiente para um ministro da Justiça, responsável pela coordenação nacional, ver a calamidade aberta em vários estados e saber do potencial de ocorrências iguais em muitos outros? A quem quer enganar?

A declaração de Torquato apenas aumenta a longa relação em que autoridades públicas insultam a sociedade que os instituiu (ou que não foi capaz de impedir que se tornassem autoridades).

Outro exemplo marcante foi a declaração há vários meses feita pelo ministro Meireles, questionado sobre o aumento concedido aos servidores: “não será um problema porque já está no orçamento”. Um orçamento que já aceitava um rombo de 139 bilhões! Em situações desse tipo, a obrigação do ministro da Fazenda seria lutar com unhas e dentes para impedir qualquer despesa evitável. Ao emprestar a sua credibilidade como administrador e economista a uma despesa não apenas evitável mas de efeito permanente e cumulativo, prejudicando as contas de todos os anos futuros, Meireles deixou estupefatos todos os que têm um mínimo de amor pelo país e dois neurônios funcionando.

Rodrigo Maia, insatisfeito com a dificuldade de emplacar os dois pontos mínimos para moralização da nossa Previdência – idade mínima e corte de privilégios de servidores – levanta a bola absolutamente inoportuna de derrubar a restrição ao endividamento para pagamento de despesas correntes. Como pode interessar a um presidente da Câmara dos Deputados aprofundar o caos das contas públicas da Nação?

Por qual razão inalcançável ao cidadão comum, autoridades notadamente inteligentes cometem esses crimes? Por que, simplesmente, sabiamente, antes não se calam?

“Polícia Portuguesa Mata por Engano”

A manchete é incorreta, tendenciosa e reflete a preferência absoluta da imprensa contra a #polícia. Parece ser uma questão ideológica e não apenas uma birra contra a polícia brasileira. Nada apaga a tristeza por uma morte desnecessária, especialmente de alguém inocente. Meus sentimentos de profundo pesar e solidariedade para com os que queriam bem à Ivanice. Entretanto, por que não a manchete “Português desobedece à Polícia e brasileira é morta”?

Em ambos os casos, quem se informar melhor vai poder fazer um julgamento mais correto do que aconteceu. Mas, pela escolha feita, a imprensa escolheu marcar o público com uma primeira impressão inapagável: a de que a brasileira morreu por um engano, um descuido, uma incompetência da polícia portuguesa.

Estranho isso pois, como cidadão, eu considero totalmente sensato que a Polícia ordene a parada de veículos suspeitos para averiguação. Quando eu passo por uma verificação desse tipo, abaixo todos os vidros e, se for à noite, acendo a luz interna. Acredito que, na medida em que eu ajudo os policiais a fazerem o seu trabalho, estou contribuindo para uma sociedade melhor. Quantos concidadãos (excluídos os bandidos) iriam preferir que a Polícia não pudesse parar nenhum veículo para investigar?

Não sou santo e entendo bem o desespero de enfrentar a possibilidade de uma multa, apreensão do carro e outras consequências, quando existe alguma irregularidade. Já passei por isso. Mas nada justifica a atitude de alguém tentar evadir-se e desobedecer uma ordem policial. Fez besteira, assuma o risco das consequências, não piore as coisas.

Lamento demais as mortes, sejam em Portugal, Brasil ou qualquer outro lugar, de alguém tentando evadir-se da Polícia. Mas a alternativa de deixar a critério de cada um obedecer ou não me parece totalmente inaceitável. O policial que está ali é mais do que a Polícia, representa a #sociedade, defendendo a ordem definida pela sociedade.

Se descobrir-se posteriormente que a polícia portuguesa atirou sem ter dado a chance ao motorista de parar o carro, com certeza considerarei o caso um homicídio pelo qual a polícia portuguesa deverá responder. Mas ordenar a parada de um carro que considerou suspeito para investigar não me parece rotulável como engano. E classificar o motorista como altamente suspeito se comprovada a desobediência, tampouco me parece um engano. O que deveriam fazer? Anotar a placa e enviar uma cartinha pedindo que o dono se apresentasse para explicações? Encetar uma perseguição que poderia terminar no atropelamento e morte de outros? O comportamento suspeito tem de ser parado ali mesmo.

Se confirmada a versão da polícia, minha descrição do caso será: “motorista desobedece à polícia e assume o risco de morte para si e sua acompanhante”. Isso é semelhante aos casos de motoristas embriagados que causam mortes em acidentes de trânsito – homicídio com dolo eventual, quando se assume a possibilidade de matar. Não vejo por que adotar uma versão mais suave no caso do português.

No Brasil, jamais a imprensa noticia: “bandidos tentam impedir a ação da Polícia e morador é morto”.  Ao contrário, dizem “Polícia invade o morro e morador é morto”. Não se pode nem mesmo dizer que a diferença é sutil – ao contrário, é muito evidente e o efeito é notável. Bombardeada com a versão de que foi a iniciativa da polícia que causou as tragédias, dezenas de vezes por semana, a população automaticamente relaciona Polícia com desrespeito ao cidadão e praticamente esquece que a culpa essencial é do criminoso.

Mas a birra da imprensa parece estender-se à própria ideia de autoridade. “Se hay gobierno, soy contra”. Qualquer regramento de vestimenta, comportamento, linguagem, valores sociais, qualquer regramento, seja qual for, deve ser combatido. Parece que a profissão de fé no anarquismo é obrigatória no juramento do jornalista.

Há de se reconhecer que as autoridades esforçam-se ao máximo para dar razão a essa distorção negativa, anti-autoridade, da imprensa brasileira. Mas seria mais útil à sociedade se a denúncia das mazelas das autoridades brasileiras pela imprensa viesse combinada com o chamamento à responsabilidade de cada cidadão por respeitar as leis e os mecanismos de imposição das mesmas.

Prestigiar a Polícia e as suas ações necessárias não significa omitir-se ante os seus erros. Mas sistematicamente desprestigiar a Polícia e atribuir-lhe liminarmente a responsabilidade pelos problemas tem significado incentivar o comportamento criminoso.

O resultado está aí para sofrermos.

Curators or Recipe Gurus?

I think it was in a Ted Talk (one of the best sources for diverse ideas) that someone called my attention to the concept of #curation applied to normal and professional life.

A long time ago, we could choose a narrow segment of human knowledge, learn about it and live somewhat comfortably from that learning. Doctors, for example, might not need to learn so much new over 50 years of practice after the diploma. At least they would not depend so much on this to avoid the sting of being outdated. Those more curious would sign some specialized publications and go to some conference every many years. Those would stand out as especially enlightened. I was lucky to have one of these, Dr. José de Carvalho Florence, work on the recovery of my fractured elbow in 1954 in a small town into the country.

At that time there were reliable recipes defining what to do and how to do in every situation of life. Those who learned and became skilled in the application of those recipes achieved sustainable success, perhaps for the lifetime. My elbow would have gone unusable according to the recipes of the time, but that would be considered normal, so I would have to be happy with the result and the ‘recipe-professional’ praised for having me survive.

The creators or disseminators of those recipes were revered as gurus. Recipe gurus.   With the spread of the internet, we discovered that the universe of knowledge and ideas was infinitely larger than we could imagine. And then the internet imposed an exponential acceleration to that which was already huge.   On one hand, we became aware of how much we could not follow and know. On the other hand, those around us  became more critical and demanding because they could imagine how much we do not know.

Trying to access everything that might be of interest even to a narrow area of ​​expertise has become a challenge with no chance of success.   Many partially resolve this difficulty by reaffirming their choice of closed recipes. They choose a recipe guru and become priests of that idea or methodology. And they get good results, under the conditions set as standard. For those who only have a hammer, everything then becomes a nail.

Another group, probably a minority, does not believe in a standard recipe and prefers to combine concepts and techniques as it can best fit each situation. This requires a wider breadth of knowledge and competence to ‘engineer’ solutions. No wonder most prefer the standard recipes.

Nowadays, constant updating with a wide variety of innovations is important, but for those who are not restricted to a standard recipe, it has become an impossible mission. And here comes the concept of curating information (or content). People, entities and algorithms that dedicate full time and with specialized resources to collect information, analyze and select what matters for a certain profile of ‘clients’ of the curatorship.

More and more curators use artificial intelligence mechanisms, learning from our preferences.   Once we find one or a few curators, we save our time on this mining, analysis and selection, and we can use time to learn and decide what and how to apply to our life. I found interesting the article at http://priscilastuani.com.br/curadoria-de-conteudo-7-tools-to- find-contents/ but a brief search will return many other contributions. It is worth investigating!

I like to associate myself more with curators than with recipe gurus.   One of my earliest curators was Monteiro Lobato, back in the late 1950s. Universalist, Lobato did an excellent curation of selections from History, Geography, Philosophy, Mathematics, Grammar, Geology, Astronomy … and incorporated them into stories for children. The knowledge and thought processes that I learned from Monteiro Lobato’s stories have served me in many situations at the school and in social and professional life.   Some of my professors, bosses and professional colleagues have aligned with my preference for “solution engineering”. But most probably fit among the ‘standard recipes’.

I remember that in the 1980s there was a dispute between ‘recipe’ adepts of # Just-in-Time and #MRP, two manufacturing management tools mistakenly seen as antagonistic at the time. Much time and energy was lost before most discovered that a good curation would combine the best of #JIT and of MRP for each company or situation.

The ‘dark side’ of the faith in recipes  is eternal and again goes on today between adepts of #Lean and of MRP.

I have aligned myself a lot with #OliverWight, an exceptional guru, able to do extensive curation of useful concepts and techniques, and combine them into recipes that facilitates deployment but are still flexible and open to fit different business realities.

Perhaps the best curation I have ever gotten professionally came from Jeanenne #LaMarsh, my guru for #Management. Also in this area there are gurus who can use a little term as an argumento to exclude all competitors so their particular recipe stands as the only correct one. Jeanenne, on the contrary, built an open methodology, to which he continually added what of best kept developing in the area.

I mentioned these curators of my past to show that, while the name was not yet used, the concept was already practiced, within the conditions of each time.

The so-called ‘content curation’ was characterized and became essential as the universe of accessible information exploded, with the internet and with the continuous connection obtained with smartphones.

As colleagues, students, and customers became saturated with second-by-second information, professionals who do not have an efficient curatorial process working on their behalf are at serious risk of being in disadvantage.

It has become a critical success factor to choose good mechanisms for identification, filtering and communication of information, relevant to the area of ​​action chosen by each one – information curation.

It may feel like science fiction but no, the future is already here with us!

Curadores ou Gurus de Receitas

Creio que foi num Ted Talk (uma das melhores fontes de idéias diversas) que alguém me chamou a atenção para o conceito da #curadoria.
 
Há muito tempo atrás, podíamos escolher uma especialidade do conhecimento humano, aprender sobre ela e viver com algum conforto intelectual a partir daquele aprendizado.
Médicos, por exemplo, talvez não precisassem aprender tanta coisa nova ao longo de 50 anos de prática após o diploma. Pelo menos não dependeriam tanto disso para evitar a pecha de desatualizados. Os mais antenados assinavam algumas publicações especializadas e iam a alguns congressos de anos em anos. Sobressaíam como gênios iluminados. Tive a sorte de contar com um desses, o Dr. José de Carvalho Florence, para a recuperação do meu cotovelo fraturado em 1954 numa cidadezinha perdida no interior.
 
Naquele tempo havia receitas confiáveis definindo o que fazer e como fazer em cada situação da vida. Quem aprendia e se tornava hábil na aplicação dessas receitas conseguia o sucesso, sustentável por muito tempo, talvez toda a vida. Meu cotovelo teria ficado inutilizado de acordo com as receitas da época, mas isso seria considerado normal, então eu teria de ficar feliz com o resultado e o ‘receiteiro’ louvado por eu ter sobrevivido.
 
Os criadores ou disseminadores dessas receitas eram reverenciados como gurus. Gurus de receitas.
 
Com a disseminação da internet, descobrimos que o universo do conhecimento e das idéias era infinitamente mais vasto do que podíamos imaginar. E a internet iniciou um fator de aceleração exponencial no que já era enorme.
 
Por um lado, passamos a ter consciência do quanto não conseguimos acompanhar e saber. Por outro lado, os que estão ao nosso redor tornaram-se mais críticos e exigentes por poderem imaginar o quanto NÃO sabemos.
 
Tentar acessar tudo o que pode ser de interesse mesmo para uma área de especialização tornou-se uma empreitada sem chance de sucesso.
 
Muitos resolvem em parte essa dificuldade reafirmando sua opção por receitas fechadas. Escolhem um guru de receita e se tornam sacerdotes daquela idéia ou metodologia. E conseguem bons resultados, dentro das condições definidas como padrão. Para quem só tem martelo, tudo tem de virar prego.
 
Um outro grupo, talvez minoritário, não acredita em uma receita padrão e prefere combinar conceitos e técnicas conforme cada situação e cada necessidade. Depende de uma amplidão maior de conhecimentos e de competência para ‘engenheirar’ soluções. Não é à toa que a maioria prefere as receitas padrão.
 
Nos dias de hoje, a constante atualização com um grande variedade de inovações é importante mas, para os que não se restringem a uma receita padrão, tornou-se uma missão impossível.
Aí entra o conceito de curadoria de informação (ou de conteúdo). Pessoas, entidades e algoritmos que se dedicam em tempo integral e com recursos especializados a garimpar informações, analisar e selecionar aquilo que interessa para um determinado perfil de ‘clientes’ da curadoria. Cada vez mais a curadoria serve-se de mecanismos de inteligência artificial, aprendendo com as nossas preferências.
 
Encontrado um ou alguns curadores, economizamos esse trabalho de garimpagem, análise e seleção, e podemos usar o tempo absorvendo e decidindo o que e como aplicar na nossa vida. Achei interessante o artigo http://priscilastuani.com.br/curadoria-de-conteudo-7-ferramentas-essenciais-para-encontrar-conteudos/ mas uma breve busca retornará muitas outras contribuições. Vale a pena investigar!
 
Eu gosto de me associar mais a curadores do que a gurus de receitas.
 
Um dos meus primeiros curadores foi Monteiro Lobato, lá pelo final da década de 50. Universalista, Lobato fez uma excelente curadoria de seleções de História, Geografia, Filosofia, Matemática, Gramática, Geologia, Astronomia… e as entreteceu em estórias para crianças. Os conhecimentos e os processos de pensamento que aprendi com Monteiro Lobato me serviram em inúmeras situações na vida escolar, social e profissional.
 
Alguns de meus professores, chefes e colegas profissionais se alinharam com a minha preferência pela “engenharia de soluções”. A maioria provavelmente se encaixou mais entre os ‘receiteiros’.
Lembro-me que nos anos 80 houve uma disputa entre ‘receiteiros’ de #Just-in-Time e ‘receiteiros’ de #MRP, duas correntes de gestão de manufatura equivocadamente vistas como antagônicas na época. Muito tempo e energia foram perdidos antes que a maioria descobrisse que uma boa curadoria combinaria o melhor de #JIT e MRP para cada empresa ou cada situação. Mas o ‘lado negro’ do ‘receitismo’ é eterno e a briga se repete ainda hoje entre ‘receiteiros’ de #Lean e ‘receiteiros’ de MRP.
 

Alinhei-me bastante com #OliverWight, um guru excepcional, capaz de fazer uma curadoria ampla de conceitos e técnicas úteis e combiná-los em receitas que facilitam a implantação mas que ainda são flexíveis e abertas para se ajustar a diferentes realidades empresariais.

Talvez a melhor curadoria que já obtive profissionalmente tenha vindo da Jeanenne #LaMarsh, minha guru para #GestãodeMudanças. Também nessa área há os gurus capazes de usar uma palavrinha para excluir todos os concorrentes à sua receita particular, a única correta. Jeanenne, ao contrário, construiu uma metodologia aberta, à qual continuamente foi agregando o que de melhor se foi desenvolvendo na área.

Mencionei esses curadores do meu passado para mostrar que, se o nome ainda não era usado para isso, o conceito já era praticado, dentro das condições de cada época.

A chamada ‘curadoria de conteúdo’ caracterizou-se e tornou-se essencial na medida em que explodiu o universo de informações acessáveis, com a internet e com a conexão contínua obtida com os smartphones.

Na medida em que colegas, alunos e clientes são saturados com informações segundo a segundo, o profissional que não tiver um processo de curadoria eficiente trabalhando a seu favor corre sério risco de se expor em desvantagem. Tornou-se um fator crítico de sucesso escolher bons mecanismos de identificação, filtragem e comunicação de informações relevantes para a área de atuação escolhida por cada um – a curadoria de informação. O amanhã já é hoje!

#curadoriadeconteúdo #josedecarvalhoflorence #inteligênciaartificial #IA #curadoriadeinformação

Quem se Beneficia?

“A PF desbaratou quadrilha que vendia aprovação de carnes adulteradas para algumas empresas. Esse trabalho da PF demonstra a capacidade e o comprometimento do governo brasileiro em manter altíssimos níveis de qualidade nos seus produtos, mantendo-se vigilante e pronto a intervir no caso de qualquer desvio. Esse comprometimento e capacidade conquistou um alto conceito para o Brasil no mercado internacional e o tornou um dos maiores exportadores mundiais, com enormes benefícios para a sociedade brasileira. Uma força tarefa foi formada para aprofundar a investigação e tomar as providências urgentes para corrigir qualquer irregularidade, assim como eliminar qualquer vulnerabilidade que haja no sistema.”
Ao invés dessa mensagem, a PF passou a impressão de que o sistema de inspeção federal (SIF) está invalidado pela corrupção e que as carnes produzidas no Brasil são uma ameaça à saúde pública no Brasil e em todo o mundo.
Pelo nível de descaramento dos políticos e autoridades brasileiras, não dá para excluir a possibilidade de que revelações posteriores mostrem que a segunda interpretação é a mais realista… Entretanto, pelo que já foi divulgado, estamos tratando de uma exceção que não pode ser usada para invalidar todo o sistema. E, mesmo que haja evidências da segunda interpretação, não seria no interesse do Brasil optar pela primeira mensagem? Estamos num mundo global e a mensagem divulgada aqui instantaneamente gera reações em todo o mundo.
A consequência de a PF ter usado de todos os meios para passar a segunda interpretação tem sido um desassossego desnecessário da população e um enorme prejuízo econômico para o país, cuja dimensão ainda nem podemos avaliar. Pode chegar facilmente a dezenas de bilhões de dólares ao longo dos próximos anos.
Restabelecida parcialmente a dimensão dos fatos, ficou mal a PF, posando de irresponsável e narcisista às custas da sociedade brasileira. Para piorar, sua mensagem demonstrou também fraqueza intelectual, incapaz de perceber que ácido ascórbico é vitamina C e que é absurda a idéia de misturar papelão à carne.
Aliás, se fosse a segunda interpretação, a PF teria passado dois anos assistindo ao envenenamento massivo da população brasileira (e clientes de exportação), sem tomar qualquer providência. Teria sido um crime contra a humanidade, literalmente.
Pode ser que tenha sido “apenas” uma falha de julgamento dos maiorais da PF. Mas no Brasil que temos visto ter uma política maquiavélica, não é absurdo pensarmos que a falha tenha sido premeditada. Cabe a pergunta clássica:
” quem se beneficiou do crime? ” .
O único grupo que me vem a mente como beneficiário desse desastre é o dos corruptos que querem inibir a atuação do MP, PF e juízes mais ativos.
A PF demonstrou o tremendo estrago que uma ação ou comunicação incorreta pode trazer para a sociedade, ao mesmo tempo em que fica claro que ninguém vai responder pelo erro, pelo medo de parecer que se está menosprezando o benefício da investigação e inibindo os agentes.
Isso reforça os argumentos em favor de uma nova lei que defina melhor as responsabilidades das autoridades quando os seus atos prejudicam desnecessariamente alguém.
Teria o delegado porta-voz da operação sido um inocente útil para essa causa da lei de “Abuso de Autoridade”? Teria sido induzido ou comandado a isso por seu chefe ou o chefe do chefe? Estaria o próprio Planalto por trás desse desastre orquestrado?
Eu não poderia afirmar qualquer dessas hipóteses mas é importante ficarmos atentos para o desenrolar dessa história.

Rodrigo Maia, impávido defensor do pior de nossa política

Mais uma vez, a #CâmaradosDeputados quase consegue perpetrar a legalização da impunidade de políticos e partidos, somada à defesa do caciquismo partidário. Por esmagadora maioria, foi aprovada a urgência para projeto de lei nesse sentido.
Veja mais em http://politica.estadao.com.br/noticias/geral,maia-recua-e-diz-que-trecho-que-veda-punicao-a-partidos-nao-sera-votado,70001657683 .
Embora não seja fã de #GilmarMendes, foi graças a ele que a votação não se consumou. Gilmar argumentou com Rodrigo que o impedimento de o #TSE paralisar o funcionamento de partidos com irregularidades vai na contra-mão de tudo que a sociedade tem pedido e a duras penas estamos conseguindo mudar.
#RodrigoMaia ficou contrariado com mais essa “interferência” externa na Câmara mas jurou que o que seria votado seria somente a autorização para partidos funcionarem indefinidamente com comissões provisórias (facilmente controláveis pela direção nacional e pouco influenciáveis por lideranças e membros locais). Jamais passou pela cabeça de ninguém votar o impedimento de punição dos partidos pelo TSE. Por que a urgência foi aprovada para as duas mudanças, Rodrigo não conseguiu explicar convincentemente.
Difícil de acreditar que os senhores deputados não tenham querido evitar maiores discussões e análises em comissões, dessa virtual imunização dos partidos ao TSE.
Mas, mesmo a autorização para funcionamento eterno com comissões provisórias é mal suficiente para provocar clamor da sociedade.
Não digo que Rodrigo é o grande coordenador de todas as legalizações de crimes tentadas na Câmara. Mas é incrível a dedicação que ele demonstra à causa. Razão maior, certamente, de sua reeleição tranquila.
Rodrigo também tem defendido, cara-de-paumente, a tese de que a Câmara é soberana e que é inaceitável querer a sociedade pressioná-la em qualquer situação.
Em tempos em que a sociedade quer mudanças no sistema político brasileiro que coloquem políticos e instituições mais claramente sob a fiscalização e controle do povo, Rodrigo tem se revelado o sumo representante assumido e orgulhoso do que existe de mais retrógrado no nosso meio político.
Embora o seu apoio às necessárias reformas promovidas pelo governo seja importante, está ficando claro que o custo que ele representa é muito maior do que qualquer possível benefício.
Precisamos, como sociedade, colocar o sr. presidente da Câmara no seu devido lugar de servidor público e não de reizinho de uma corte alheia ao povo que deveria representar.
Aliás, Câmara e Senado têm demonstrado uma incrível capacidade de escolhas infelizes para suas presidências e mesas diretoras. Parece ser condição essencial que todos os membros carreguem nas costas pelo menos uma suspeita relevante. Como o último ex-presidente do Senado demonstrou, se carregar vários indiciamentos, melhor ainda!